Na pureza da amizade,
Somos todas de carne:
Carne de pão,
Sangue de vinho tinto.
(Amor de copo, de brinde, de vida).
Na malicia do amor,
Somos todas de carne:
Carne de outros,
Sangue de vinho branco.
(Amizade de corpo, de brinde, de vida).
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Morrendo Em Câmera Lenta
Com um isqueiro, acendestes o fogo dos meus olhos,
E queimastes meu pavor, restando somente as cinzas.
Incêndio no prédio alto da rua um tanto movimentada;
E o mundo morre, e a gente morre: nesse fogo incessante.
E queimastes meu pavor, restando somente as cinzas.
Incêndio no prédio alto da rua um tanto movimentada;
E o mundo morre, e a gente morre: nesse fogo incessante.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Ess Muss Sein
Tomou um longo banho gelado
Saiu e secou-se com a toalha
Não quis colocar a roupa
Encaminhou-se até a sala
Sentou-se no sofá listrado
Acariciou o gato malhado
Piscou demoradamente
Sentiu o frescor da tarde
Levantou-se
Foi até a janela
Observou
Escutou
Fumou
Suspirou
Deixou-se
Cair
Nua.
domingo, 22 de novembro de 2009
Coração Iluminado
Na poesia confusa, encontro sinais da minha lucidez.
Viro os olhos, farta de tanta bagunça,
E arrisco algumas palavras harmônicas.
No soluçar do tempo, giro a cabeça lentamente;
Com medo de te encontrar, me escondo no cobertor
-Meu coração iluminado escurece o ambiente.
Viro os olhos, farta de tanta bagunça,
E arrisco algumas palavras harmônicas.
No soluçar do tempo, giro a cabeça lentamente;
Com medo de te encontrar, me escondo no cobertor
-Meu coração iluminado escurece o ambiente.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Na sala de jantar
Amargurada, já nem choro mais.
Escondida na tua nuca,
Puxo teus cabelos vorazmente.
Sangro por dentro,
nas entranhas apertadas.
Sou cruel e te castigo.
Como teus olhos com pimenta do reino.
Escondida na tua nuca,
Puxo teus cabelos vorazmente.
Sangro por dentro,
nas entranhas apertadas.
Sou cruel e te castigo.
Como teus olhos com pimenta do reino.
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